Durante a atividade, profissionais da saúde puderam se inteirar das ações propostas pela Organização Mundial de Saúde. Foto: José Aldenir
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), juntamente com a Sociedade Brasileira de Pediatria do RN (Sopern), realizaram, na manhã desta quinta-feira (1), na sede da Associação Médica do Rio Grande do Norte, a abertura da Semana Mundial da Amamentação. O evento, que se estende até o próximo dia 7, traz, nesta edição, o tema “Tão importante quanto amamentar seu bebê é ter alguém que escute você”. Durante a atividade, que contou com apresentações culturais e palestra do Presidente Local da Sopern, Nivaldo Noronha, profissionais da saúde puderam se inteirar das ações propostas pela Organização Mundial de Saúde.
Como parte da programação, diversas instituições e unidades de saúde de todo o Estado realizam eventos alusivos à data. A Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) faz oficina de Aleitamento Materno hoje e amanhã aberta para profissionais de qualquer instituição de saúde. O Hospital Dix-Sept Rosado (Hospital Amigo da Criança), de Mossoró, apresenta programações a semana inteira, em parceria com o Banco de Leite do município e a II Unidade Regional de Saúde Pública. O Hospital de Currais Novos abrirá sua programação nesta sexta-feira (2) e segue com as ações até o próximo dia 7, juntamente com as Unidades de Atenção Básica.
O tema deste ano reforça a importância do apoio à mãe que amamenta e da escuta qualificada, com ênfase na formação de grupos de mães ou de aconselhamento em amamentação. A coordenadora estadual de Aleitamento Materno, Evanúzia Dantas, ressalta que a edição atual da campanha está focada no apoio à lactante, tanto por parte da família como da sociedade e mesmo das empresas do setor privado. “O apoio para manter a amamentação pode ser realizado através da família e de círculos de apoio, formados por profissionais de saúde capacitados, conselheiros em amamentação, líderes da comunidade ou amigas que também são mães e pelos pais ou companheiros”, conta.
Sobre o determinante papel da iniciativa privada no quesito, a coordenadora é enfática ao defender a ampliação da licença maternidade. “Entendemos que o leite materno, mais que alimento, é a representação maior do vínculo entre mãe e filho. Quando consideramos que a licença maternidade dura apenas quatro meses, e que muitas mães precisam trabalhar para garantir a subsistência da família, é impossível que não haja uma quebra nessa ligação. Tanto o bebê como a mãe sofrem muito com isso. O Ministério da Saúde vem lutando para estender a licença até 180 dias, mas é uma batalha muito complicada”, lamenta Evanúzia Dantas.
A promotora de vendas Larissa Borges encerra hoje sua licença maternidade, exatamente no dia em que sua filha Lia completa quatro meses. Para ela é impossível voltar ao trabalho, pois a menina ainda se alimenta exclusivamente no peito e não há com quem deixá-la durante o dia. “Tive que pedir demissão do emprego, pois não existe a menor condição de largar minha filha só o dia inteiro. Só quem é mãe sabe do vínculo que existe com o bebê. Romper isso da noite para o dia é, no mínimo, cruel”, desabafa. “Sou totalmente a favor das campanhas de amamentação. Minha primeira filha, Liz, mamou até os dois anos de idade e é notável como hoje ela tem uma saúde excelente. Se Deus quiser, Lia vai no mesmo caminho”, conta.
Para Ana Zélia Pristo, coordenadora regional do programa de bancos de leite, a campanha desse ano tem projeções muito positivas, por contemplar, na prática, os objetivos do apoio ao aleitamento, que são “Proteger, promover e apoiar” a lactante. “Quando falamos em amamentação, o fator emocional é muito forte, muito presente. É necessário que haja um acompanhamento de profissionais qualificados, para que a mãe se sinta estimulada. Não podemos esquecer que o leite materno previne diversas infecções na criança, além de diminuir significativamente os riscos de surgimento de câncer de mama e ovário na mãe e reduzir a possibilidade de hemorragias no pós operatório”, explica.
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